Findou-se o expediente como em um
dia qualquer. Até o lazer (o plano em si) parecia cinza,
ter caido na rotina. Mas o imprevisivel nos pega de surpresa... E
conforme diz a premissa, aconteceu a ultima coisa que eu
esperava!
O mal tempo seria uma esperança para que
tal plano fosse adiado, mas quando olhei pela janela, o céu era de
um azul tão intenso que essa possibilidade caiu por terra. Então,
parti para o que seria apenas mais um passatempo sem
perspectivas.
Na chegada, frustração. Atrasos carecem de
paciencia. Mais a frente (seria uma peça chave para o que
ocorreu? Ou, um sinal do céu?), algo que resolvi ignorar dada a
importancia reciproca. Uma peça do passado a qual é irrelevante. E
depois de um telefonema, já aborrecida, parti para o novo ponto de
encontro.
Um paradigma: nada acontece por acaso; e
quando determinadas situações/fatos ocorrem, uma Força Maior coloca
a(s) pessoa(s) certa(s) em nosso caminho para prestar assistencia.
O curioso, é uma pessoa que conheço há tão pouco tempo, ter
tido papel tão fundamental no desenrolar dessa
noite.
Finalmente ela chegou, e o encontro
foi agraciado com pizza, refrigerante e cerveja. Conversavamos
animadamente, quando todos foram comtemplados com uma típica chuva
de verão. E junto com a chuva, desabou dentro de mim
qualquer expectativa de diversão - a impaciencia que
me consumia resultou em tédio, embora eu procurasse manter as
aparencias.
E como uma brisa matutina, a chuva foi
embora.
Eu me encontrava muito próximo à entrada, e
não conseguia desviar meus olhos desta, como se essa atitude fosse
funcionar como íma, e atrair para aquele lugar o motivo (que no
fundo) fazia eu permanecer naquele local. O olhar atento a cada
individuo que adentrava o recinto combinava um misto de
expectativas, ansiedade, frustração e um buraco negro dentro de
mim; que na verdade, eu tinha para mim mesma que somente um certo
alguem poderia preenche-lo.
Pensei que fosse apenas coincidencia, que
fosse um sinal a ser ignorado. Mas em dado momento, minh'alma
mergulhava numa montanha russa de icognitas: a principio, a peça a
qual havia ignorado; e depois, mais tarde, outras quais fizeram
parte de uma rotina que há 25 meses luto contra a lembrança. E
dentro deste circulo, me dei conta, de que tudo dá voltas: outrora
repugnava a presença de cada um (pois me faziam de certa forma
prisioneira de uma fase que queria esquecer), e agora, toda essa
cordialidade, mesmo eu ciente que de aparencias. Tudo estava bem,
exceto para mim - dentro de mim. E o questionamento que atormentava
meus pensamentos: "A peça chave virá?".
Apreensiva, os minutos transformavam-se em
horas. Tentava manter a calma, mas algo gerava um incomodo tal qual
uma pedra dentro de um sapato apertado. E num momento de distração,
a chegada foi-me anunciada.
Como que por reflexo, virei, e vi com
meus próprios olhos, que denunciaram a aproximação dele. Senti-me
perdida numa ilha deserta. Faltava-me o raciocinio lógico. Não
conseguia trocar os passos, pronunciar palavra; como um recém
nascido: que sabe simplesmente que está ali, mas não sabe o que
fazer, e tem a consciencia apenas de seus instintos. E o que meu
instinto dizia era para sair dali imediatamente. O que
conflitava com o coração, que em meio a tanto transtorno, via uma
expectativa se consumar e pedia para eu ficar. E por questão
de diplomacia, segui o coração, até se dar o instante do
cumprimento; e depois, para meu alivio, consegui me afastar
temporariamente.
Eu desacreditava e não tinha racionalmente
me dado conta do que estava acontecendo. Um pensamento, uma
probabilidade tão distante, que já tinha ocorrido outras vezes e
terminado em frustração; ali, palpável, real. A partir daquele
instante, tudo mudou de cor, de dimensões! E meu ser, mixava uma
sensação de frenesi, daqueles que ocorrem em poucas vezes em que
nos apaixonamos, com uma angustia, de uma perda que até então não
havia sido superada. E esse açoite de polos tão diferentes
revezavam entre si a cada momento que meus olhos não
acalçavam, a cada olhar trocado, à lembrança de existir um outro
alguém, à tentativa de aproximação dele (fora do comum, por
sinal), a cada olhar desviado, a cada palavra trocada e a
cada trejeito tão costumeiro outrora. Um turbilhão de
sensações transbordava dentro de mim, trazendo recordações e
emoções há tanto tempo vividas; e intercaladas a estas, a
consciencia da realidade atual e muro de uma concepção que não
foi quebrada.
Amigos fora do comum - não encontro
outra definição para os dois. A cumplicidade e a amizade que houve
no passado, mantidas; porém, um
olhar expressando qualquer coisa, exceto olhar de dois
amigos. Olhar este percebido por aquela que foi meu apoio nesta
noite. Noite que foi como um vulcão adormecido que despertou
não somente os sentimentos que ainda carrego, mas também aqueles
que eu havia esquecido. E agora, depois de
acontecido tudo isso, estes mesmos encontram-se abandonados aqui
dentro, transformando-se no meu cárcere.
E por fim, era
chegado o momento da despedida, que foi selado com um caloroso
abraço, o qual, lembrando um antigo hábito, retribui - na
entrelinha, a recordação (e a sensação) da segurança que cada um
dos abraços vivenciados transmitiam afloraram naquele momento
- e um beijo carinhoso no rosto. Ambos me fizeram estremecer
completamente. Por meio minuto, senti o calor daquele corpo
que me faz sentir tantas saudades e o afeto daquele que
desconcerta meu ser. E em um milésimo de segundo, no mais
intimo de mim, como avanlanche, despencaram todas as palavras que
foram ditas e perdidas no vento; as palavras pronunciadas em
pensamento, porém, não articuladas fisicamente; todas as
colocações possiveis para aquele instante, com uma
infinidade disponível; no entanto, apenas duas palavras foram
trocadas. No final das contas, de que serviriam
palavras? Quando em silêncio, um olhar (trocado)
expressou mais do que o
suficiente.