Home Data de criação : 08/03/06 Última atualização : 11/10/17 12:38 / 46 Artigos publicados

Quando menos esperamos  (Momentos) escrito em sábado 28 agosto 2010 12:12

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De certo, as vezes pensamos o quanto estamos certos em nossas convicções, em nossos paradigmas. Mas o "professor" tempo - por que ele não só cura feridas, mas também ensina - nos mostra o quanto somos tolos em acreditar que tudo é absoluto.

Achei que já tinha visto toda a maldade que existe nessa espécie que ironicamente se chama ser humano. Mas, o tempo, não só cura, como ensina e também surpreende.

Nunca pensei que alguém pudesse chegar a um grau de dissimulação tão grande para alcançar um objetivo tão fútil. Penso na mentira, grave e desnecessária. Penso, na crueldade, o quanto deveria rir-se ao constatar o que seu dom provocava em alguém.

 

E nessa teia de ilusão, que cada vez mais envolvia, cada dia mais crédula se fazia  veracidade das palavras. Palavras estas, que foram jogadas ao vento sem direito de resposta.

As palavras, o ser que foi construido através delas e de gestos, desmoronou no silêncio. A personalidade, impressões desta, conclusões, ruiu impetuosamente sem uma unica silaba. E permanece assim, até agora, no buraco negro do vácuo.

 

A dor, indescritível. A sensação, de nulidade: do que se viveu, de personalidade, de expectativas e acima de qualquer coisa, de VALOR.

E mesmo diante da icógnita, da percepção - ainda confusa - resta se entregar ao tempo, esse senhor que instiga a erguer a cabeça e seguir em frente, até chegar a uma conclusão de tudo isso.

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Imagem refletida  (Reflexões) escrito em domingo 25 julho 2010 20:53

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De certo, vivemos em labirinto. Um dia, conhecemos alguém. Vivemos o que taxamos "sonho" e achamos que vai ser para sempre. Que, assim como nos contos de fada, seremos felizes para sempre. Mas não é bem assim, no mundo real. Um dia descobrimos que a pessoa não é tão perfeita assim. Começam as brigas, os desentendimentos; para culminar no desgaste e consequentemente, no fim.

O relacionamento acaba, a ficha leva um certo tempo para cair, e quando cai, a sensação é perda de uma parte de nossa vida. Ou, de um membro.

Existem pessoas que superam fácil; outras, nem tanto assim. A dor de um amor mal resolvido pode se estender por anos. A dor, a sensação da falta, acordar pensando na pessoa, dormir com o mesmo pensamento... o sentimento. Tudo isso não acaba da noite para o dia, por mais que o relacionamento, de certa forma, tenha sido massante, de certa forma.

Passados dois anos, o sentimento permanece ali. Parece que não vai ser apagado nunca.

Eis que um dia, inesperadamente, como diz a letra da musica da Zelia Duncan, aparece outro alguém. Ai, começa tudo novamente. A sensação de frenesi, a ansiedade para ver novamente. E como que se fluisse sem virgulas, o misto de sensações na mais perfeita sintonia resulta em um namoro. Turbulento, mas um namoro. Com a incerteza de que este é o homem de sua vida e com a segurança da longevidade deste.



No entanto, como por ironia do destino, ocorre uma situação que se percebe que não sente mais nada pelo anterior além de nojo. Isso mesmo, nojo, ao lembrar de momentos que até em pouco fazia subir às estrelas. E então, percebemos, o tempo é responsável pela solução de grande parte dos problemas e angústia e pela metamorfose do que julgavamos tão concreto.



Obstaculos não intimidam a concretização de obje 

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Carta à Carolina  (Ana Deborah) escrito em sexta 22 janeiro 2010 13:04

Nada como o tempo para discernir as coisas e fazer cair o véu da ilusão.
Amiga, esse "voltar" não existirá nunca. Estou certa disso.
Talvez minha vida (coração) esteja condenada a isso, a sofrer por um infeliz que não tem coração. Sim, ele não tem coração nem respeito por mim, nem por mulher nenhuma, pois se o tivesse, não jogaria a isca e estaria em todas essas baladas que eu encontrei ele, só, sem o Jaburu.
Sei que vc vai me falar, do mesmo jeito que falaria a vc se fosse vc que estivesse me dizendo isso, que os caminhos e consequencias de nossa vida nós que escolhemos. Pois bem, lhe digo, que optei por esquecer esse cidadão de uma vez por todas. Levanto a cabeça, olho para frente, sacudo a poeira. Conheço novas pessoas. Mas quando estou prestes a esquecer que ele existe e cair no esquecimento dele(s), o destino de alguma forma coloca a figura dele diante de mim. Coisa que não aguento mais!
Ai amiga, se fosse um pouco menos covarde, teria posto fim a esse sofrimento. Fim este que seria melhor para todo mundo. Mas nem para isso... Nem isso consigo fazer.
Um ano e meio já se passou. E eu, nesse carcere, sem muros. Um carcere que provem de dentro de mim. Sei que já passou da hora de te-lo esquecido. Mas, não tenho forças. Parece que quando estou para sair vitoriosa desta batalha, a guerra fulmina com toda força dentro de mim.

Ah amiga, estou cansada de tudo isso. De alimentar falsas ilusões. De ainda isso que um dia eu senti estar tão vivo aqui dentro. Por vezes, não queria ser eu. Todos os lados da questão me matam, cada dia, um pouco, por dentro. Há um ano e meio, que vivo como Prometeu - cujos abutres devoram o figado, que a noite se reconstroi, para os abutres começarem tudo no dia seguinte. Uma pequena substituição: figado-coração; abutres-sentimento.
Sei que vai me dizer que é escolha minha. Mas é algo que não posso mais, não consigo mais controlar.

Questiono todos os dias, pq isso comigo... Pq tinha que ser assim. Pedia tanto alguém na minha vida, e demorou a aparecer, e quando aparece, para acabar assim. Foge da minha compreensão e estou farta de buscar respostas!

Ana Deborah

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Palavras dispersas e reprimidas  (Momentos) escrito em quarta 13 janeiro 2010 14:17

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Findou-se o expediente como em um dia qualquer. Até o lazer (o plano em si) parecia cinza, ter caido na rotina. Mas o imprevisivel nos pega de surpresa... E conforme diz a premissa, aconteceu a ultima coisa que eu esperava!

 

O mal tempo seria uma esperança para que tal plano fosse adiado, mas quando olhei pela janela, o céu era de um azul tão intenso que essa possibilidade caiu por terra. Então, parti para o que seria apenas mais um passatempo sem perspectivas.

Na chegada, frustração. Atrasos carecem de paciencia. Mais a frente (seria uma peça chave para o que ocorreu? Ou, um sinal do céu?), algo que resolvi ignorar dada a importancia reciproca. Uma peça do passado a qual é irrelevante. E depois de um telefonema, já aborrecida, parti para o novo ponto de encontro.

Um paradigma: nada acontece por acaso; e quando determinadas situações/fatos ocorrem, uma Força Maior coloca a(s) pessoa(s) certa(s) em nosso caminho para prestar assistencia. O curioso, é uma pessoa que conheço há tão pouco tempo, ter tido papel tão fundamental no desenrolar dessa noite.

Finalmente ela chegou, e o encontro foi agraciado com pizza, refrigerante e cerveja. Conversavamos animadamente, quando todos foram comtemplados com uma típica chuva de verão. E junto com a chuva, desabou dentro de mim qualquer expectativa de diversão - a impaciencia que me consumia resultou em tédio, embora eu procurasse manter as aparencias.

E como uma brisa matutina, a chuva foi embora.

Eu me encontrava muito próximo à entrada, e não conseguia desviar meus olhos desta, como se essa atitude fosse funcionar como íma, e atrair para aquele lugar o motivo (que no fundo) fazia eu permanecer naquele local. O olhar atento a cada individuo que adentrava o recinto combinava um misto de expectativas, ansiedade, frustração e um buraco negro dentro de mim; que na verdade, eu tinha para mim mesma que somente um certo alguem poderia preenche-lo.

Pensei que fosse apenas coincidencia, que fosse um sinal a ser ignorado. Mas em dado momento, minh'alma mergulhava numa montanha russa de icognitas: a principio, a peça a qual havia ignorado; e depois, mais tarde, outras quais fizeram parte de uma rotina que há 25 meses luto contra a lembrança. E dentro deste circulo, me dei conta, de que tudo dá voltas: outrora repugnava a presença de cada um (pois me faziam de certa forma prisioneira de uma fase que queria esquecer), e agora, toda essa cordialidade, mesmo eu ciente que de aparencias. Tudo estava bem, exceto para mim - dentro de mim. E o questionamento que atormentava meus pensamentos: "A peça chave virá?".

Apreensiva, os minutos transformavam-se em horas. Tentava manter a calma, mas algo gerava um incomodo tal qual uma pedra dentro de um sapato apertado. E num momento de distração, a chegada foi-me anunciada.

Como que por reflexo, virei, e vi com meus próprios olhos, que denunciaram a aproximação dele. Senti-me perdida numa ilha deserta. Faltava-me o raciocinio lógico. Não conseguia trocar os passos, pronunciar palavra; como um recém nascido: que sabe simplesmente que está ali, mas não sabe o que fazer, e tem a consciencia apenas de seus instintos. E o que meu instinto dizia era para sair dali imediatamente. O que conflitava com o coração, que em meio a tanto transtorno, via uma expectativa se consumar e pedia para eu ficar. E por questão de diplomacia, segui o coração, até se dar o instante do cumprimento; e depois, para meu alivio, consegui me afastar temporariamente.

Eu desacreditava e não tinha racionalmente me dado conta do que estava acontecendo. Um pensamento, uma probabilidade tão distante, que já tinha ocorrido outras vezes e terminado em frustração; ali, palpável, real. A partir daquele instante, tudo mudou de cor, de dimensões! E meu ser, mixava uma sensação de frenesi, daqueles que ocorrem em poucas vezes em que nos apaixonamos, com uma angustia, de uma perda que até então não havia sido superada. E esse açoite de polos tão diferentes revezavam entre si a cada momento que meus olhos não acalçavam, a cada olhar trocado, à lembrança de existir um outro alguém, à tentativa de aproximação dele (fora do comum, por sinal), a cada olhar desviado, a cada palavra trocada e a cada trejeito tão costumeiro outrora. Um turbilhão de sensações transbordava dentro de mim, trazendo recordações e emoções há tanto tempo vividas; e intercaladas a estas, a consciencia da realidade atual e muro de uma concepção que não foi quebrada.

Amigos fora do comum - não encontro outra definição para os dois. A cumplicidade e a amizade que houve no passado, mantidas; porém, um olhar expressando qualquer coisa, exceto olhar de dois amigos. Olhar este percebido por aquela que foi meu apoio nesta noite. Noite que foi como um vulcão adormecido que despertou não somente os sentimentos que ainda carrego, mas também aqueles que eu havia esquecido. E agora, depois de acontecido tudo isso, estes mesmos encontram-se abandonados aqui dentro, transformando-se no meu cárcere.

E por fim, era chegado o momento da despedida, que foi selado com um caloroso abraço, o qual, lembrando um antigo hábito, retribui - na entrelinha, a recordação (e a sensação) da segurança que cada um dos abraços vivenciados transmitiam afloraram naquele momento - e um beijo carinhoso no rosto. Ambos me fizeram estremecer completamente. Por meio minuto, senti o calor daquele corpo que me faz sentir tantas saudades e o afeto daquele que desconcerta meu ser. E em um milésimo de segundo, no mais intimo de mim, como avanlanche, despencaram todas as palavras que foram ditas e perdidas no vento; as palavras pronunciadas em pensamento, porém, não articuladas fisicamente; todas as colocações possiveis para aquele instante, com uma infinidade disponível; no entanto, apenas duas palavras foram trocadas. No final das contas, de que serviriam palavras? Quando em silêncio, um olhar (trocado) expressou mais do que o suficiente. 

 

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Borboletas  (Ana Deborah) escrito em domingo 19 julho 2009 20:13

Uma missa. Uma igreja. Menor, diferente da que frequentara durante um ano. Era a igreja que frequentara durante a infância. Entrou, fez a reverencia como de costume, sentou-se.  E mesmo um ambiente tão diferente, não impediu que seu subsconsciente trouxesse a tona lembranças.

Lembrou-se do desprezo que sofreu naquele dia. Da indeferença de João, levando-a para casa, sem ao menos lhe perguntar se queria acompanhá-lo. E era justamente o dia em que a mãe dele a havia convidado para acompanhá-los. Mediante a atitude dele, ela calou-se. E no seu silêncio, a chaga na alma. Essa atitude, aparentemente relevante, era algo impossível de acontecer meses antes. Eis a definição da atitude como de desprezo.

Sentiu seu coração apertar. Isso já tinha acontecido há mais de um ano, mas o filme viera-lhe na cabeça como se o ocorrido tivesse sido no dia anterior. E a imagem seguinte, foi a do telefonema, confirmando se ela tinha conhecimento de era aquele o dia do festival. Ela confirmou. E em virtude da pressão da família, ele foi buscá-la. Apenas devido à pressão da familia que ele foi buscá-la, não porque era a vontade dele.

Deborah não suportou, a dor em tempo real era muito maior do que a vivida no devido tempo; talvez, por tudo que viera depois; e no dia característico de inverno que fazia, mesmo com sua mãe ao lado, não conteve uma lágrima quente que pulou afoita de seus olhos.

Essa seria apenas uma entre tantas. Nos minutos seguintes, as lembranças brotavam. Era como uma árvore, onde os galhos surgiam, entrelaçados.

Lembrou-se do TLC. Dos momentos passados ao lado de João. Das atitudes de ambos naquele lugar. Das palestras. Da felicidade falsa que vivera. A esse ponto, as lagrimas brotavam.

Quanto tempo já se passara. E tudo parecia tão vivo dentro dela. Se deu conta de quanta mágoa João deixou. De como o seu coração doía ao lembrar... Quanto sofrimento representava todo descaso, cada desfeita partida dele. Seu coração estava impuro por conta dessas marcas.

Nem em sua religião de infância encontrava a paz. Até mesmo suas raízes, João havia contaminado, como um vírus que se propaga por todo o corpo, até infestá-lo por completo. E apodrecê-lo.

 


E ainda assim, lutaria com todas as suas forças para tê-lo devolta a seu lado.

 

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